Os corredores que não passam um dia sequer sem calçar o par de tênis e treinar. Esta obsessão na busca de resultados e maiores distâncias na corrida de rua gera preocupação. Para a psicóloga Fernanda Gomes, a necessidade compulsiva nos treinos pode atrapalhar a vida social dos atletas e fazer com que o esporte deixe de se tornar um hábito saudável.

- A obsessão é caracterizada por exagero e fanatismo. No caso da corrida é um pouco complicado, porque há uma liberação de endorfina no organismo. Há a sensação de prazer, então aparentemente ela não seria prejudicial ao ser humano. Mas passa a ser prejudicial emocionalmente porque existe essa necessidade compulsiva de estar sempre em contato com aquilo que me faz bem Mesmo o esporte sendo saudável, a obessão por ele não faz bem. Quando você coloca aquilo como prioridade na vida, compromete outros âmbitos, como o trabalho e a família – explicou Fernanda.

corredor euatleta (Foto: Getty Images)Obsessão pela corrida: exagero nos treinos pode comprometer a saúde dos atletas (Foto: Getty Images)

Analista de sistemas e ultramaratonista, Márcio Villar, de 47 anos, começou a correr quando viu que estava levando uma vida sedentária e precisava mudar de hábitos. Incentivado pelo irmão, fez a primeira prova e não parou mais, literalmente. Chega a disputar corridas com 24 horas de duração.

Não existe obsessão saudável. O treino deve ser acompanhado por uma pessoa da área de educação física, com o objetivo de cuidar do seu corpo e do bem estar”
Fernanda Gomes, psicóloga

- Estava com 98kg e a vida era uma porcaria. Um dia fui correr para pegar o ônibus para trabalhar e não consegui nem subir. Surgiu uma corrida de 8km em que cada um poderia correr 4km, e o meu irmão fez a minha inscrição e a dele. Eu comecei com as corridas de 5km para a de 10km, depois para a de 21km e a tão sonhada primeira maratona. Um dia recebi um email de uma corrida de 24h em São Paulo. Corri 166km e fiquei em primeiro lugar. A partir daí, passei a duplicar e triplicar as distâncias. Pode ser obsessão ou doença, mas é uma doença do bem – afirmou Márcio.

Segundo Fernanda, querer correr em menos tempo, fazer mais quilômetros e ficar numa atitude repetida deste comportamento de sempre dar o melhor é altamente prejudicial à saúde da pessoa.

- A pessoa só vai conseguir falar sobre este assunto. Pode ser o vício pela endorfina, que é liberada diretamente na corrente sanguínea, mas não sabemos como e em em que quantidade por treino. Não existe obsessão saudável. Para isso, o treino deve ser acompanhado por uma pessoa da área de educação física, com o objetivo de cuidar do seu corpo e do bem estar – encerrou a psicóloga.

Fonte: Globoesporte.com

Publicado por admin, em 20 de maio de 2015 às 10:10 nas categorias Sem categoria.
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